Primeiro
uma, logo após duas e segundos depois estavam caindo infinitas gotas de chuva.
Lavaram uma, duas, todas as mágoas que estavam aqui recobertas pela terra seca.
Tocaram meu rosto, molharam meus cabelos, minhas roupas, mas não precisaram
molhar meus olhos já cheios de lágrimas, mas ainda assim lavaram todo o ser
pacato e cheio de desesperanças que estava aqui dentro. Os minutos passaram, as
horas passaram e eu fiquei ali, sem muito o que fazer, apenas esperando que a
chuva parasse e concluísse seu serviço.
Abri a
boca. As gotas de chuva escorreram pela minha garganta suavemente, entraram em
contato com minhas células, preencheram meu corpo. Respirei aquele ar puro com
gotículas molhadas, que entraram em
minha respiração e penetraram meu coração até chegar ao mais profundo e obscuro
lugar do meu ser. O alívio foi instantâneo, injetou calma em todas as minhas
veias, se espalhando por todo o corpo juntamente com o sangue.
Então
eu lembrei de quando dançávamos na chuva sem a mínima preocupação com
resfriados ou olhares intrigados conosco, então eu lembrei outra vez que você
desapareceu no meio de um sonho bom, evaporou
com um fumaça colorida e incandescente, simplesmente se foi... Eu te
procurei nas esquinas, nas lojas, nos cantos improváveis, em todo lugar que
pude, e, de repente eu percebi que você foi um sonho, um sonho que teve de
acabar, e que você era como aquela chuva, passageiro, iria acabar mais cedo ou
mais tarde, serviria apenas de aprendizado. E na hora que tomei consciência
disso a chuva diminuiu o ritmo, e de repente parou, sem mais nem menos, apenas
acabou, como você acabou, como você passou, como você se foi, as gotas de chuva
ficaram marcadas em corpo, alma e coração, assim como todos os momentos estão
na memória, no fundo de minha alma e no canto mais especial do meu coração.

Lindo e profundo.
ResponderExcluirlindo ><
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