sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Coração


 O médico me deu mais 3 anos de vida, a vida me deu um prazo pra ser feliz, eu sequei as lágrimas, mesmo que elas continuem a cair. Eu me levantei da cama e a tontura se manifestou outra vez, fui até o banheiro e me olhei no espelho, encarei minha própria imagem refletida e me perguntei o que eu teria feito da minha vida. Porque eu havia guardado todas as memórias, todas as mágoas, todas aquelas tristezas, porque eu havia guardado todo o meu passado dentro de mim? Porque eu havia guardado toda aquela bagunça emocional como frases ocultas em livros, como letras minúsculas em contratos de venda. E meu coração, dilacerado, aberto, ardente, maltratado e doente; doente de amor pela felicidade que eu tanto busco.
  Hoje eu acordei e o sol brilhava, apagando as sombras, apagando meus medos e então abri meu sorriso; aquele que já estava escondido em gritos de tristeza e lágrimas pesadas; olhei o céu azul que se estendia por todo o horizonte, olhei toda a luz contemplando a felicidade e da janela eu podia ver todo o mundo lá fora me esperando para ser feliz. O sol cor de ouro reluzente invadiu meu apartamento e deu alguns minutos de felicidade, inundou meus olhos com uma luz profunda, meu deu vida, me trouxe ar outra vez, me fez feliz, me trouxe lucidez.
  E a tristeza pode voltar quantas vezes ela quiser, a felicidade também vai vir quantas vezes ela quiser, vou receber a visita de uma delas todos os dias, não saberei quem , ou quando irá chegar. Feliz ou triste estarei vivendo, chorando, sorrindo, enfim, vou aproveitar o que vier de alguma forma, reciclar as emoções e tentar me levantar do meu retiro de vida.

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