sábado, 1 de setembro de 2012

Morta em vida

  Eu poderia refletir diversas vezes diversas palavras para te escrever, mas eu acho muito mais fácil escrever algumas poucas frases sem sentido como você fazia naquelas cartas que eu recebia todos os meses em meu apartamento, com a sua assinatura e nenhuma informação proveitosa nas linhas. Mas enfim, seria muito fácil dizer que eu estou muito bem e que eu continuo minha vida normalmente, mas ao mesmo tempo seria uma tremenda mentira, e você sabe que eu não gosto de mentir. Pois bem, eu não estou nem um pouco bem, tenho chorado constantemente e meus dias são mais longos do que eu esperava, me falta ar, eu realmente não queria estar aqui. E se perguntar se eu estou infeliz, eu realmente não preciso responder. Nenhuma sensação brota aqui dentro, eu estou morta em vida, estou vivendo por viver, fazendo tudo por fazer, apenas uma obrigação e divertimento não é uma palavra que eu tenha conhecimento.
  E eu não estou esperando por nada, nem pela vida, nem por um sinal, um ponto-chave, eu não que mais nada, só me deixe em paz, eu sei que a expectativa de vida por aqui é grande, mas sei lá, mais cedo ou mais tarde a morte passa silenciosamente por nós e leva tudo embora. Tudo que um dia veio para as mãos, um dia flui através dos dedos para além das dimensões dos sonhos, além das dimensões da vida, além de todos os conceitos da morte.
  Meu testamento está na minha escrivaninha. E adivinha? Não deixei exatamente nada para você, estou rindo feito louca, tomando uma taça de vinho tinto e queimando as rosas vermelhas que você me mandou. Eu não preciso de você, não preciso do seu amor, aliás, não preciso do amor de ninguém, me deixe seguindo meu caminho sozinha, sete chaves me trancam e me protegem de toda essa coisa que acontece ao meu redor. E de repente o silêncio toma conta de tudo, o som do vento não atinge muitos decibéis em meus ouvidos, e o silêncio se prolonga, pode ser a morte chegando, pode ser a morte te levando, pode ser a vida se estendendo.

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