sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Poetas e seus possíveis problemas com o amor

  "Eu sou poeta e não aprendi a amar."
                                (Cássia Eller)
    "O amor não é para amadores, e eu não sou profissional."
                                           (Caio F. de Abreu)
Talvez poetas tenham problemas com o amor, quem sabe as letras e as poesias preencham tanto suas cabeças que acabem ocupando o coração também, impossibilitando-os de amar. E quem sabe, talvez eu não saiba amar, talvez eu seja uma poeta casada com meus textos, assim como as freiras são casadas com Deus. E ter uma relação profunda com as poesias me protege dos medos, as poesias me entendem, me colocam inteira, de corpo, alma e coração em uma folha de papel toda escrita, poesias me trazem uma visão diferente do mundo.
  Poesias nunca abandonam um poeta, talvez por isso exista muito mais amor entre ele e suas folhas preenchidas do que entre ele e as demais pessoas. Talvez poetas sejam alérgicos a pessoas e seu melhor remédio seja um bom livro, talvez poetas não se cansem se escrever e isso proporciona-lhes mais paixão ardente ao coração do que beijos e amassos. Talvez poetas tenham um coração de tinta e penetrem toda a emoção ensanguentada de seus corações em folhas de papel. Mas acima de tudo, poetas são amantes das letras que a lua tece sob suas cabeças frias e seus corações de tinta frenéticos e pulsantes, pulsantes de uma força louca de amor, pulsando letras e versos a todo momento, o coração de um poeta é um poço sem fim algum, é profundo, calmo, só entra quem merece e pra sair de lá só tendo jogados estilhaços ao poeta.
  Poetas não jogam indiretas, apenas colocam suas mágoas e decepções num poema e pronto, tudo fica bem, mas diretamente ou não aquele poema é para alguém, só que essa pessoa nunca vai saber. É, poetas tem possíveis problemas com o amor.

sábado, 24 de novembro de 2012

Anjo da noite

  Agarre minha mão e me leve pra dentro dos teus sonhos, me tire da escuridão, ascenda minha alma e cale meus pensamentos com o doce calor dos teus olhos. Me carregue no teu sono leve, destranque minha mente perturbada.
  Abra tuas asas no silêncio oculto da noite, voa através dos meus pensamentos, desfaz minha teia de problemas, esconde meus segredos no teu mundo e deixa eu amar teus traços, teus rabiscos, tuas formas, teus ângulos angelicais.
  Me salve daqui, me devolva o ar, coloca teus detalhes misturados junto aos meus, aproveita enquanto é tempo, o sol ainda não nasceu, nossas raízes escuras ainda não desapareceram. Eu estou aqui, não me deixe ir, não solta a minha mão, por favor, não agora, me deixe viver mais um pouco desse sonho, me deixe entrar no teu universo perfeito, conhecer os teus segredos, admirar teu semblante de anjo. Não me deixe colidir com a realidade agora, porque eu juro que nunca me senti tão viva antes.
  Quando a noite acabar se escondas no brilho das estrelas, me espere até que o sol se ponha, me espere pra me fazer respirar de novo.

domingo, 18 de novembro de 2012

Apenas um retrato de uma vida sem rumos

  O tempo atormenta meus ouvidos zunindo através dos meus pensamentos, os segundos estão passando, minha cabeça está girando, o mundo está acabando.
  Ao meu redor, alguma coisa mudou, não sei bem o que, mas as coisas estão tão diferentes, e eu queria poder te falar de todas as coisas que eu estou sentindo sem desculpas e atrasos, mas não, não é bem assim que funciona, não é? Mas tudo bem, talvez quando você me encontrar sentada no balanço chorando as mágoas você entenda tudo que eu sempre quis te dizer. Eu não sou de ferro, eu estou decepcionada com essa realidade dura e fria que eu encaro todos os dias sem ser vista no meio dos flocos de neve que caem sob mim. Passos vagos, ruas estreitas, luzes ofuscantes, sentimentos frios, pensamentos em vão, o vento soprando, o tempo passando, o ponteiro do relógio hipnotiza minha mente e eu vou além desse passos vagos, dessa cidade tensa, desses poemas sem brilho, dessa vida sem cor.
  E eu vou andando pelas ruas, sem muita expectativa do amanhã, é só mais um bando de pessoas confusas andando por ai, um amontoado de gente como eu, ou talvez uma maré de pessoas alienadas, bem diferentes de mim. E o tempo vai passando, o sol está se pondo e de repente tudo para, o tempo parou, o mundo parou e a vida começa a fazer sentido, é uma pena que dure apenas poucos segundos, então tudo volta ao normal, a Terra completa seu giro outra vez, as pessoas voltam a andar e eu vou seguindo um caminho tortuoso pra tentar encontrar um melhor, por enquanto nada mudou, mas ainda vou achar meu lugar nesse mundo, ainda vou contemplar uma chuva de felicidade caindo sob meus ombros.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Tempos distantes

  Acho que eu tirei um tempo pra pensar e talvez repensar tudo que eu já tinha feito até agora na minha vida. Para variar eu encontrei uma série de erros em vários cantinhos empoeirados da minha história, como uma caixa velha enterrada no fundo do quintal. Então eu parei pra pensar, cada erro daquele tinha trago um aprendizado e alguma coisa pra mim, e considero essas "coisas" que cada erro me traz algumas pequenas joias, algo bonito para colocar por cima do erro (não que o erro irá desaparecer, infelizmente isso não acontece). Eu precisava muito desabafar e nessas linhas coloquei tudo o que eu sentia, um coisa forte, algo me consumindo, eu entrando em conflito comigo mesma, ou mesmo em conflito com tudo que estivesse acontecendo fora de mim. Eu realmente não sei explicar. Eu realmente quero acabar com isso, me libertar de alguma forma de tudo que está acontecendo, ou até do meu próprio corpo sair se eu puder pra buscar algo novo e bom em outro horizonte, uma esperança em outro lugar.
  E aquela saudade vai machucando o coração aos poucos como se os momentos passados valessem o preço de toda uma vida, talvez seja engano, talvez seja sonho e talvez seja eu, eu posso ser o problema, a solução ou o avesso, basta saber onde eu vou me encaixar nessa história.